sexta-feira, 15 de junho de 2012

O Deus de Abraão, Isaque e Jacó com você no banheiro!

Quando nasci, minha mãe comprou um diário. Tinha a capa azul com a foto de uma paisagem muito bonita: um lago cercado por montanhas e um pequeno bosque. É um aderno muito bonito. As folhas são costurada e brancas, sem linhas. Nunca vi nada parecido a venda por aí...Pediu que algumas pessoas escrevessem uma mensagem para mim. O pastor da igreja, um outro pastor que já faleceu e era amigo da família, uma amiga chamada Lindóia que deixou uma mensagem cheia de rostinhos bonitos e meu avô materno.

Vovô me deu uma lista de conselhos práticos para a vida cristã. No final terminou dizendo que eu seguisse os conselhos do Deus de Abraão, Isaque, Jacó e meus pais. "O Deus daquelas pessoas importantes era o Deus de meus pais?
O mesmo que falava no topo do monte?
O mesmo que fez a sarça arder?
Que dividiu o mar vermelho?
Que encontrou uma esposa pra Isaque junto ao poço?
Aquele é o Deus dos meus pais?
Do meu pai emburrado e desempregado? Da minha chorona, doente e gorda?
O mesmo Deus?
Deus não se importa com essa família. Só que Ele é Deus e lança as pessoas no inferno, a melhor alternativa é segui-Lo." Concluí.

Meu avô gostava de acordar de madrugada, ligar o gravador e fazer seus discursos para gravar para a posteridade. Minha avó geralmente fazia crochê a essa hora. Uma madrugada qualquer, ouvi-o dizer: "O Senhor que tudo vê... Deus onipresente!" Sempre fui curiosa. Perguntei na hora o que aquela palavra queria dizer e fiquei horrorizada com a resposta: "Quer dizer, minha filha, que Deus vê todas as coisas. Ninguém pode se esconder do olho de Deus."
"Até no banheiro vovô?", perguntei assustada. Ele riu da minha reação.A idéia de um Deus xereta que me vê quando estou no banheiro não me agradou nada. Minha nova obcessão passou a ser encontrar uma forma de me esconder do seu olhar "BIG BROTHER".
"E se eu me vestir toda de preto e me esconder dentro do guarda-roupa com a luz apagada, mamãe?"
"Ele ainda consegue te ver, Stella!" respondia ela com ar de cansaço pela minha insistência.

Não sei quanto tempo depois, uma coisa realmente estranha me aconteceu. Nessa época eu tinha de cinco para seis anos. Tive uma crise de prisão de ventre fortíssima! Doía tudo, até a cabeça com a força que eu fazia. E nada do (me perdoem a falta de rapapés) cocô sair. Eu suava e chorava como nunca desejaria para nenhum inimigo (tenho que ser sincera... posso imaginar uma ou duas pessoas que não me importaria que tivessem... rsrs). Enfim, quando nada adiantava eu comecei a orar: "Papai do céu, não me importo que eu esteja no banheiro,mas faz meu cocô sair!" (não lembro bem das palavras, até mesmo porquê era muito nova e o que aconteceu depois desviou a minha atenção da oração) Quando abri os olhos, assim, como se saindo de um véu que os ocultava, vi umas formas semelhantes a anjinhos mirins. Eles dançavam e tocavam instrumentos. Fiquei muda por uns minutos e comecei a gritar pela minha mãe. Quando ela finalmente apareceu não vi mais nada.Mamãe era de uma igreja tradicionalíssima e tratou de me convencer que eu não tinha visto nada.

Durante toda a minha infância essa imagem ficou nítida na minha cabeça, mas com o passar dos anos foi enfraquecendo.Só agora, depois de adulta, conhecendo a Deus como conheço, percebi a dimensão daquele encontro nada usual.A única área em que eu não admitia a presença de Deus era o banheiro! (compreensível). Quando houve a entrega daquele pedacinho da casa e a aceitação de que o Senhor me visse em todos os meus momentos pude ver a glória de Deus. Ele veio sem demora. Foi uma lição valorosa, mas compreendida com 25 anos de atraso.

"Então, Senhor, não existem mais "banheiros" em minha vida. O Senhor é bem-vindo em qualquer parte desta habitação. Eu sou templo do teu Espírito Santo e me entrego a Ti sem reservas!"

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